3º Webinar - Moving Forward/2021 Edition: Cidades em Transição

13/05/2021     V21 / Moving Forward / Webinar / Cidades em Transição

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No passado dia 28 de abril realizou-se o terceiro webinar da série "Moving Forward/2021 Edition", webinars realizados pela Vissaium XII e Altice Labs, seguindo a linha desta nova edição "Novos paradigmas para o futuro das cidades" mas tendo agora como foco o tema da "Cidades em Transição".

A sessão contou com José Couto, Presidente do Conselho Superior da Vissaium XXI; Miguel Castro Neto – Professor Associado e Subdiretor da NOVA-IMS e moderador deste webinar; Catarina Selada – Head of City Lab do CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto; Miguel Eiras Antunes – Global Smart City, Smart Nation & Local Government Leader na Deloitte; Ricardo Costa – Vereador da Câmara Municipal de Guimarães, ficando o encerramento a cargo de Alcino Lavrador – Diretor-Geral da Altice Labs.

José Couto fez a sua primeira intervenção prestando uma pequena homenagem a António Almeida Henriques, ex-presidente da Câmara Municipal de Viseu que faleceu recentemente vítima de COVID-19, valorizando a sua empenhada contribuição na área das políticas valorizadoras da qualidade de vida das pessoas a partir das smart cities e da sustentabilidade, e de seguida apresentou uma visão enquadradora do tema das cidades inteligentes e em transição, em discussão no webinar.

De seguida, Miguel Castro Neto apresentou os oradores do painel, Catarina Selada, Miguel Eiras Antunes e Ricardo Costa e lançou a discussão sobre a necessidade de dar resposta à emergência climática e recuperar da pandemia, refletindo sobre que caminhos se deverão trilhar para dar resposta ao tema da transição verde, pois esta depende de todos mas é muito suportada pela transição digital.

Catarina Selada apresentou o novo ecossistema “AYR” desenvolvido pelo CEiiA, que materializa um novo conceito para a descarbonização, permitindo compensar as emissões de gases nocivos geradas com a valorização das emissões evitadas, gerindo créditos digitais (que podem ser trocados por bens ou serviços) de forma a fazer a compensação das emissões geradas localmente. Estes créditos digitais podem ser trocados por bens e serviços sustentáveis, num ecossistema circular dentro da cidade. Inclusive pode haver empresas altamente emissoras a participar neste ecossistema por via da bolsa da comunidade, onde possa ser criado um fundo local de carbono que possa ser usado para projetos verdes da cidade (seja de mitigação ou sequestro de emissões).

Explicou como são gerados os créditos por via dos municípios, operadores de mobilidade ou empresas que pretendem disponibilizar um serviço de sustentabilidade. Deu exemplo do uso da bicicleta em detrimento da utilização do carro. Há uma quantificação de emissões geradas (idealmente em tempo real) que, por sua vez, será usada para cálculo do crédito a atribuir aos diversos intervenientes no processo de mobilidade.

Catarina Selada referiu que o grande objetivo é reduzir a pegada carbónica e que é necessário ter uma lógica de políticas ambientais mais descentralizadas, com foco no utilizador e no cidadão que podem, com as suas decisões, impactar diretamente a cidade onde vivem.

Salientou também que Matosinhos (onde o projeto AYR está a ser testado) pretende ser um centro de experimentação para novos meios de sustentabilidade, criando e dinamizando o ecossistema local, abrindo as portas para a replicação destes meios em outras cidades de Portugal.

Miguel Eiras Antunes destacou que a economia local é o melhor local para se resolver os problemas das cidades e que, segundo um estudo muito recente da Delloite, as grandes tendências de evolução das cidades passam por:

- Melhor planeamento dos espaços verdes das cidades, numa lógica de mais espaço para pessoas e menos carros; mais jardins e menos estradas;

- Economia circular e produção local, que se traduz em comunidades de energia, hortas urbanas;
- Edifícios e infraestruturas sustentáveis;
- Cidade dos 15 minutos, ou seja, todos os serviços fundamentais estão próximos de nós, evitando deslocações desnecessárias e mitigando os impactos de não poder viajar. Necessita de abordagem integrada;
- Mobilidade sustentável;
- Smart Health Comunnities, num contexto cada vez mais urbano e no âmbito da cidade. Serviços sociais e de saúde descentralizados e como forma de ter resultados e impactos na nossa vida;
- Assistência/apoio à distância;
- Participação ativa do cidadão: co-criação, open data;
- Inclusão social, a necessidade de evitar o digital divide;
- Perspetiva de Ecossistema, com parceiros tecnológicos integrados.

Mas para tudo isto será necessário constituir equipas especializadas nos municípios para conseguir aproveitar os fundos de apoio, difíceis de gastar, sendo igualmente necessário preparar planos estratégicos das cidades em cima dos pilares disponíveis nos vários programas, preparar um modelo de governação mais ágil e de contratação pública mais simples e, por fim, envolver os ecossistemas.

Já Ricardo Costa descreveu o caso da autarquia onde exerce funções como Vereador, Guimarães, como algo que vem sendo planeado desde 2014 e que está relacionado com a sua sustentabilidade, destacando o que está já em curso, como a monitorização de lugares de estacionamento, vias comunicativas CWAYs (controlo de tráfego para informação ao cidadão e também leitura de quantas pessoas passaram naquela passadeira, bem como a quantidade de carros que ali passaram), bilhética integrada e informação em tempo real aos cidadãos.

Referiu também alguns projetos que têm a decorrer neste sentido, tais como: I9G/I9IN; ProximCity (plataforma para restauração e comércio tradicional); Monitorização do estilo de vida saudável; digitalização de serviços público. Explicou que com estes projetos pretendem recolher valores para poder intervir, através da forma como todos os dados se integram e relacionam, possibilitando uma maior capacidade de ajustamento da cidade às necessidades do cidadão.

Ricardo Costa destacou ainda que Guimarães terá, num futuro próximo, o supercomputador Deucalion, tendo também em curso os seguintes projetos: CIX – corporate innovation experience (showroom virtual sem necessidade de se deslocação); Um digital innovation hub; O GRID – Guimarães resilient and innovative district; Novas fonte de energia; Corredores para condução autónoma.

Para o encerramento foi possível contar com a intervenção de Alcino Lavrador, que mais uma vez reforçou a obrigatória homenagem a António Almeida Henriques, grande impulsionador nacional do tema das cidades inteligentes.

Alcino Lavrador resumiu, falando das dimensões que foram abordadas na sessão, desde o combate às alterações climáticas, passando por uma Cidade mais amiga do ambiente, sustentável e com preocupação pelas gerações futuras, onde a tecnologia surge como um facilitador e um meio para atingir estes objetivos.

Destacou ainda o projeto H2020 – Sharing Cities, no qual a Altice Labs participa, enquanto mais um exemplo de plataforma dinamizadora da comunidade e onde os créditos digitais obtidos pelos cidadãos num "Digital Social Market" também podem ser trocados por serviços na comunidade local.

"Concluindo, não basta a tecnologia nem basta as pessoas assim o desejarem. É, portanto, importante criar novos modelos de interação com o cidadão e novas políticas públicas, locais e mesmo nacionais, para que a transformação verde e sustentável possa existir."

Toda esta sessão online pode ser revista aqui.

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