1º Webinar - Moving Forward/2021 Edition: Novos paradigmas para o futuro das cidades

30/03/2021     V21 / Moving Forward / Webinar / Futuro das Cidades

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Depois do sucesso do primeiro ciclo de 6 webinars, que se realizaram entre abril e junho de 2020, a Altice Labs e o V21 (Centro de Incubação Tecnológica de Viseu) iniciaram no passado dia 10 de março um novo ciclo dedicado ao tema "Novos paradigmas para o futuro das cidades", com uma sessão que contou como keynote speakers o economista e professor Augusto Mateus e o Diretor-Geral da Altice Labs, Alcino Lavrador.

Esta primeira sessão funcionou como enquadradora para este segundo ciclo de webinars. Augusto Mateus fez a sua intervenção focando os aspetos económicos e sociais na evolução das cidades.

O professor Augusto Mateus começou por referir que a pandemia que afeta atualmente o mundo é um fator disruptivo da sociedade e economia, acelerando transformações e tornando obsoletos determinados paradigmas sobre as cidades e a sociedade. Com a transformação digital, estamos perante potenciais de transformação económica, de aumentos drásticos de produtividade, de melhorias drásticas da organização das cidades e das sociedades, só comparável à situação de há 100 anos atrás.

As cidades, enquanto espaços de eficiência coletiva, são no fundo uma sobreposição de diferentes cidades: a cidade residencial, administrativa, logística, a cidade da cultura, do turismo, da investigação, da industria, dos serviços e a cidade comercial. Nem todas possuem todas estas valências e o seu processo de transformação deve ter isso em conta.

Podemos ter na tecnologia, na inteligência, uma ferramenta poderosa no desafio de configurar as cidades como plataformas diversificadas de geração de riqueza, combate ao desperdício, melhoramento do desempenho ecológico, contributo para a descarbonização e de criação de mais riqueza sustentada na criatividade e no conhecimento.

Em Portugal faz-se uma distinção muito apressada entre o chamado litoral e interior, e parte-se do principio que só há solução quando se transferem recursos do litoral para o interior, em vez de pensar que basicamente o que está errado é a falta de interações mais fortes entre o litoral e o interior e não haver equidade na generalização das condições de criação de riqueza de forma competitiva e distribuível com equidade.

Ao juntarmos as economias de especialização às economias de escala, resulta que não é verdadeiro que seja sempre a crescer, sempre a aumentar a escala que se obtêm as soluções mais eficientes. Estas obtêm-se respeitando racionalidades e fazendo as melhores integrações. Na conceção da cidade sustentável e da economia circular, com o novo papel dos consumidores-cidadãos, uma das maneiras de defender a democracia é perceber melhor como damos mais cidadania aos consumidores e mais consumo aos cidadãos.

Alcino Lavrador trouxe o tema da cidade como um serviço começando por referir que é a necessidade de nos sentirmos felizes que nos leva a procurar uma determinada cidade para trabalhar e viver.

Com a digitalização, a propriedade está a dar lugar à utilização, isto é, a utilização de um bem não implica a sua propriedade. Esta transformação não surge por acaso. As novas gerações privilegiam uma experiência de utilizador rica e gratificante, com uma usabilidade agradável e fácil no consumo de serviços.

Fazendo um paralelo para uma cidade, de igual forma, tem que ser pensada para proporcionar a melhor experiência de utilização possível nos diversos pontos de contacto que cada um tem com a cidade. E tal como em qualquer indústria ou negócio, é necessário segmentar os "clientes" para desenhar para cada um uma "jornada de cliente" que seja única e marcante. A cidade transforma-se assim num serviço que se usufrui de forma diferente por um habitante, uma empresa ou um visitante.

Esta visão permite olhar para a infraestrutura, os serviços autárquicos, o edificado, a mobilidade, a habitação ou os espaços verdes, como funcionalidades de um serviço que deverão ser adequados de forma a proporcionar a melhor experiência possível e exceder as expetativas de cada utilizador, tendo em conta o contexto em que a experiência é vivida.

Esta transformação necessita de um planeamento baseado em dados reais. Tal como qualquer empresa hoje em dia recolhe dados dos seus clientes para lhes proporcionar uma melhor experiência de utilizador, antecipando necessidades e personalizando ofertas contextualizadas, também se torna necessário adequar permanentemente os diversos pontos de contacto na cidade, tendo em conta a evolução sociológica, tecnológica e económica e o contexto da interação. Ora só podemos melhorar o que medimos. É dessa forma imperativo que se instale uma conetividade inteligente: que permita recolher dados de todos os pontos de contacto que a cidade proporciona e que se adotem soluções analíticas para extração de informação e conhecimento sobre a cidade, permitindo atuar em tempo real, resolvendo situações antes que se agravem e até prever e antecipar ocorrências. Esta analítica permitirá igualmente, com base no histórico, prescrever medidas que mitiguem os impactos de eventos naturais adversos, ou sociais.

Numa cidade pensada como um serviço temos as condições para que as pessoas sejam tocadas emocionalmente na sua interação diária entre si e com a cidade, resultando numa cidade onde as pessoas se sentem felizes – uma Cidade Feliz.

A Cidade Feliz resulta, portanto, da forma como a cidade é desenhada e construída relevando a sua cultura, raízes e história, tendo em conta a sua humanização, por um lado, e da forma como pode ser desfrutada pelos seus diferentes "clientes", por outro nas suas jornadas diárias. Para tal, estes devem sentir-se incluídos nas tomadas de decisão sobre um espaço comum, e as autoridades devem construir ferramentas que facilitem o engajamento dos munícipes com a sua cidade e o seu futuro, bem como mostrar transparência nas decisões e ações empreendidas de forma a aumentar a confiança mútua.

A sessão foi encerrada por José Couto, que referiu:

O contributo cada vez mais relevante das cidades para a humanidade, destacando que aquilo a que chamamos uma cidade é na verdade um conjunto de funções distintas, que podem ser vistas como cidades dentro de cidades, servindo diferentes atores ou "clientes". No entanto, alertou, as prioridades e as soluções são muito diferentes entre uma cidade de 100 mil habitantes e outra de 10 milhões de habitantes, não havendo uma receita universal para todas as cidades.

De seguida destacou o tema da das emoções e o conceito de felicidade foi retomado, dado que as nossas emoções condicionam largamente a forma como reagimos aos eventos que nos rodeiam e o conceito do nível de felicidade dos habitantes de uma cidade é cada vez mais um fator de retenção e atração de habitantes.

Como conclusão, deixou o conceito da cidade do futuro, como plataforma de criação de valor e felicidade para os seus habitantes.

A sessão pode ser revista aqui.

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